{"id":1026,"date":"2018-01-04T22:26:11","date_gmt":"2018-01-05T01:26:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/en\/the-mousehole\/?p=1026"},"modified":"2018-01-04T22:27:27","modified_gmt":"2018-01-05T01:27:27","slug":"cinema-para-tradutores-de-tav-o-dialogo-como-elemento-grafico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/en\/the-mousehole\/cinema-para-tradutores-de-tav-o-dialogo-como-elemento-grafico\/","title":{"rendered":"Cinema para tradutores de TAV: O di\u00e1logo como elemento gr\u00e1fico"},"content":{"rendered":"<p>Olar, 2018!<\/p>\n<p>Chegamos nesse janeir\u00e3o lindo com o segundo post da s\u00e9rie &#8220;Cinema Para Tradutores de TAV&#8221;, em colabora\u00e7\u00e3o com nosso finalizador e editor Ivan M. Franco. Se voc\u00ea perdeu o primeiro, clique <strong><a href=\"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/en\/the-mousehole\/?cat=59\">aqui<\/a><\/strong>. Se n\u00e3o, vamos que vamos.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Como uma arte recente, o audiovisual ainda \u00e9 uma \u00e1rea com possibilidades vastas. H\u00e1 poucas d\u00e9cadas que o som foi introduzido aos filmes como elemento dieg\u00e9tico. O maior medo de Eisenstein era o de sons serem introduzidos aos filmes sem contexto, como, por exemplo, trilhas musicais. Isso significa que muitos elementos surgiram &#8211; e ir\u00e3o continuar surgindo &#8211; frutos de necessidades t\u00e9cnicas, ou ent\u00e3o apenas experimenta\u00e7\u00f5es. <\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1027\" aria-describedby=\"caption-attachment-1027\" style=\"width: 512px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1027\" src=\"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/en\/the-mousehole\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/eisenstein.jpeg\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/en\/the-mousehole\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/eisenstein.jpeg 668w, https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/en\/the-mousehole\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/eisenstein-300x214.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1027\" class=\"wp-caption-text\">Aceita que d\u00f3i menos, Eisenstein.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Antes do som, elementos gr\u00e1ficos cumpriam seu papel comunicativo no cinema mudo: liam-se os di\u00e1logos apresentados antes ou depois, em cartelas. Somente essa op\u00e7\u00e3o j\u00e1 compreende diversas interpreta\u00e7\u00f5es sobre o contexto do di\u00e1logo. A arte da montagem e da edi\u00e7\u00e3o andava de m\u00e3os dadas com o uso das cartelas que traziam os di\u00e1logos, ordenando sequ\u00eancias para contar uma hist\u00f3ria que fazia uso de todos os elementos poss\u00edveis, dando sentido e ritmo para o espectador. Se um di\u00e1logo tiver uma edi\u00e7\u00e3o apenas funcional, teremos algo parecido com uma novela: um plano geral para situar o di\u00e1logo num espa\u00e7o. Vez ou outra, vemos a rea\u00e7\u00e3o da personagem que apenas ouve, para efeitos dram\u00e1ticos. Mas tirando a linguagem corporal e audiovisual, teremos quest\u00f5es com o idioma falado pelas personagens.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o, temos legendas. Elas n\u00e3o interferem nas atua\u00e7\u00f5es e nem exigem altera\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas de \u00e1udio. S\u00e3o o artif\u00edcio final quando se trata de baixo custo e globaliza\u00e7\u00e3o de uma obra. Mesmo legendas tendo surgido em filmes antes da sincronia de som com imagem, ainda s\u00e3o negligenciadas como recurso narrativo. Ainda entendemos legendas como uma muleta para a cis\u00e3o que s\u00e3o as l\u00ednguas humanas. Em se tratando de legendas tradut\u00f3rias, descritivas ou transcritivas, podemos afirmar com toda a certeza que a montagem\/edi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 feita levando em considera\u00e7\u00e3o o espa\u00e7o que ocupar\u00e3o na tela e, consequentemente, como ir\u00e3o interferir na narrativa visual.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1028\" aria-describedby=\"caption-attachment-1028\" style=\"width: 545px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1028 \" src=\"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/en\/the-mousehole\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/nazare.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"364\" srcset=\"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/en\/the-mousehole\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/nazare.jpg 720w, https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/en\/the-mousehole\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/nazare-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 545px) 100vw, 545px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1028\" class=\"wp-caption-text\">Montagem\u00a0 + legenda = ?<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">As solu\u00e7\u00f5es, \u00e9 claro, ficam a cargo dos legendadores, e nem sempre s\u00e3o satisfat\u00f3rias. Muitas vezes, \u00e9 preciso escolher: respeitar o corte de cena e deixar o tempo leitura ruim, ou respeitar o tempo de leitura e deixar a legenda vazar para a cena seguinte, interferindo com a est\u00e9tica. Uma solu\u00e7\u00e3o elegante para que legendas possam coexistir com a arte de um filme s\u00e3o as legendas eletr\u00f4nicas: projetadas fora da tela &#8211; mas dentro do campo de vis\u00e3o do espectador &#8211; elas cumprem sua fun\u00e7\u00e3o sem a exig\u00eancia de adapta\u00e7\u00e3o da linguagem audiovisual. Mas o fato de estarem fora da tela tamb\u00e9m exige do olhar, que precisa viajar muito, e acaba tornando a leitura mais cansativa e desconectada da imagem. Ou seja: em algum aspecto, sa\u00edmos perdendo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Das poucas vezes em que as legendas foram utilizadas como ferramentas da narra\u00e7\u00e3o, destacam-se as com\u00e9dias: &#8220;Noivo Neur\u00f3tico, Noiva Nervosa&#8221;, de Woody Allen \u2013 onde legendas numa cena mostram o que as personagens est\u00e3o pensando; e &#8220;M\u00e1quina Quase Mort\u00edfera&#8221;, na qual o policial interpretado por Emilio Stevez trope\u00e7a nas legendas durante uma persegui\u00e7\u00e3o. No primeiro, a legenda insere uma nova camada narrativa: o espectador tem mais capacidade para compreender a trama e seus personagens. J\u00e1 no segundo, as legendas est\u00e3o dentro do universo do filme, de uma maneira surreal, mas que o espectador \u00e9 capaz de compreender. O interessante \u00e9 entender que a piada no filme com Emilio Stevez \u00e9 justamente a de que legendas podem atrapalhar. Elas entram no campo de vis\u00e3o destinado para contempla\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica. Voltamos \u00e0 quest\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o: quando um filme \u00e9 feito, raramente se considera a possibilidade de legendas sendo incorporadas ao quadro.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1029\" aria-describedby=\"caption-attachment-1029\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1029 size-full\" src=\"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/en\/the-mousehole\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/annie-hall.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"561\" srcset=\"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/en\/the-mousehole\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/annie-hall.jpg 500w, https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/en\/the-mousehole\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/annie-hall-267x300.jpg 267w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1029\" class=\"wp-caption-text\">Legendas de di\u00e1logos internos em &#8220;Noivo Neur\u00f3tico, Noiva Nervosa&#8221; trazem verdades.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o \u00e9 que os roteiristas, diretores e montadores precisem se limitar enquanto autores. \u00c9 o contr\u00e1rio: estamos num momento em que se exige criatividade para solucionar uma quest\u00e3o da legendagem. Talvez seja o melhor momento para inova\u00e7\u00f5es na \u00e1rea e a quebra de paradigmas cl\u00e1ssicos, ao que se somam as quest\u00f5es de acessibilidade. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que quadrinhos e jogos eletr\u00f4nicos s\u00f3 foram considerados arte neste s\u00e9culo: eles trazem as possibilidades de explora\u00e7\u00e3o que s\u00f3 a marginalidade pode fornecer. Aguardamos cenas dos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos!<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olar, 2018! Chegamos nesse janeir\u00e3o lindo com o segundo post da s\u00e9rie &#8220;Cinema Para Tradutores de TAV&#8221;, em colabora\u00e7\u00e3o com nosso finalizador e editor Ivan M. Franco. Se voc\u00ea perdeu o primeiro, clique aqui. Se n\u00e3o, vamos que vamos. *** Como uma arte recente, o audiovisual ainda \u00e9 uma \u00e1rea com possibilidades vastas. 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