{"id":943,"date":"2017-11-30T23:03:35","date_gmt":"2017-12-01T02:03:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/en\/the-mousehole\/?p=943"},"modified":"2019-07-25T14:38:33","modified_gmt":"2019-07-25T17:38:33","slug":"a-lbm-em-cartaz-patti-cake","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/en\/the-mousehole\/a-lbm-em-cartaz-patti-cake\/","title":{"rendered":"A LBM em cartaz: &#8220;Patti Cake$&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><em>Rapaziada, Johnny Boy na parada<\/em><\/p>\n<p><em>Pra contar a hist\u00f3ria dessa mina bolada<\/em><\/p>\n<p><em>Que de bolinho n\u00e3o tem nada<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Lil B. Mauz, 2017<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><strong>Patti Cake$, quem \u00e9 essa mina?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Patricia Dombrowski mora com a m\u00e3e e a av\u00f3, e as tr\u00eas cortam um dobrado pra manter as contas em dia. A sa\u00fade debilitada da \u00e1cida por\u00e9m carism\u00e1tica av\u00f3 da mo\u00e7a, interpretada pela veterana Cathy Moriarty, e o comportamento err\u00e1tico da m\u00e3e, Barb (<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Bridget Everett<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">), apenas tornam a vida da jovem ainda mais complicada. As contas se amontoam e um emprego j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais o suficiente. Ser\u00e1 que sobra tempo para correr atr\u00e1s do sonho de ser rapper e dar uma vida melhor para todo mundo? Essa grande pergunta move o filme, mas n\u00e3o sem alguns percal\u00e7os e personagens ador\u00e1veis para nos guiar pelo caminho. O Minist\u00e9rio do Rap adverte: esse post fica muito mais legal quando lido com a trilha sonora INCR\u00cdVEL do filme:\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/goo.gl\/PahZ2z\"><span style=\"font-weight: 400;\">Apple Music e iTunes<\/span><\/a>\u00a0e<span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<a href=\"https:\/\/goo.gl\/FHXhgY\">Spotify<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-944 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/en\/the-mousehole\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/granny.jpg\" alt=\"\" width=\"483\" height=\"362\" srcset=\"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/en\/the-mousehole\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/granny.jpg 640w, https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/en\/the-mousehole\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/granny-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 483px) 100vw, 483px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa semana vim falar de um filme que tem os dois p\u00e9s na quebrada e o linguajar das minas e dos manos. Uma quest\u00e3o de agendas e uma intensa viv\u00eancia em escolas p\u00fablicas da capital do Rio de Janeiro me tornaram o mais apto \u00e0 tarefa. Das v\u00e1rias reflex\u00f5es que esse filme despertou em mim, destaquei uma bem relacionada \u00e0 linguagem para compartilhar com voc\u00eas e aproveitei para relacionar minhas ideias a um post muito bacana de um colega. Espero que gostem.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>As (v\u00e1rias) tradu\u00e7\u00f5es de <i>bitch<\/i><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se tem uma coisa que eu adoro num trabalho, \u00e9 receber carta branca ou o mais perto poss\u00edvel disso, principalmente em obras desafiadoras e\/ou naquelas que possuem algum compromisso com a oralidade em seus roteiros. Quem me conhece pessoalmente sabe do carinho que tenho por roteiros com di\u00e1logos bem escritos e com uma boa dose de naturalidade; refletida na legendagem, \u00e9 claro. E &#8220;Patti Cake$&#8221;, distribu\u00eddo pela RT Features, \u00e9 um terreno f\u00e9rtil para isso: g\u00edrias aos baldes, tiradas divertidas, sacadas geniais e tudo ao som de batalhas de rap que exalam tens\u00e3o; afinal, a inten\u00e7\u00e3o numa batalha dessas \u00e9, digamos&#8230; desmerecer o coleguinha. E ao longo de &#8220;Patti Cake$&#8221;, n\u00e3o s\u00f3 das batalhas, temos uma chuva de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">bitch!<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> O filme foi traduzido no come\u00e7o de setembro, a tempo para a pr\u00e9-estreia no Festival do Rio, mas quiseram os astros que no dia 9 deste m\u00eas de novembro o professor John Whitlam, da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em tradu\u00e7\u00e3o da Est\u00e1cio de S\u00e1, publicasse um <strong><a href=\"http:\/\/johnwhitlam.com\/2017\/11\/09\/bitch-palavra-muito-mal-entendida\/\">post<\/a><\/strong> que teve tudo a ver com a tradu\u00e7\u00e3o desse filme.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_945\" aria-describedby=\"caption-attachment-945\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-945\" src=\"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/en\/the-mousehole\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/b-tch-plz.gif\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"250\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-945\" class=\"wp-caption-text\">Essa \u00e9 pra quem n\u00e3o sabia que &#8220;bitch&#8221; tem v\u00e1rias tradu\u00e7\u00f5es!<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foi muito curioso encontrar um eco t\u00e3o forte das minhas reflex\u00f5es no post de um colega. E para deixar isso claro vou citar alguns trechos do post do meu xar\u00e1 ingl\u00eas. Ah, \u00e9 claro que ler o post original vai ajudar sua compreens\u00e3o, mas vamos l\u00e1:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">De forma resumida, Whitlam argumenta que em filmes, s\u00e9ries e realities traduzidos na TV brasileira (essa t\u00e1 na nossa conta, hein, pessoal da TAV?) o termo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">bitch<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> constantemente \u00e9 traduzido como \u201cvadia\u201d ou \u201cvagabunda\u201d, ou seja, fazendo refer\u00eancia ao comportamento sexual da mulher, o que raramente \u00e9 verdade nos dias de hoje.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Com base nisso, o autor desenvolve um racioc\u00ednio muito interessante sobre a etimologia da palavra e seus poss\u00edveis usos, apresentando poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es mais adequadas para o termo. Mas vamos arrega\u00e7ar as mangas e falar da Patricia Bolinho$ na pr\u00e1tica!<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Logo no come\u00e7o do filme, um integrante de um grupo de rap com letras pra l\u00e1 de machistas e agressivas quase atropela nossa hero\u00edna e solta um sonoro:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA parada \u00e9 GSM, vaca!\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">GSM = Goon Squad Mob, um grupo de rap.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse \u00e9 o exemplo cl\u00e1ssico em que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">bitch <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">pode ser traduzido por praticamente qualquer coisa negativa, como \u201cescrota\u201d, \u201cvacilona\u201d ou, se voc\u00ea estiver se sentindo mais conservador, \u201cbabaca\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mais tarde, numa batalha de rap, um dos integrantes do Goon Squad de descend\u00eancia italiana, manda a letra j\u00e1 num contexto em que mostra desprezo por mulheres:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cganho dinheiro que nem o De Niro<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">em seu carr\u00e3o<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>vadias<\/strong><b>,<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> cheguei,<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">quero calcinhas no ch\u00e3o\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nenhuma surpresa a\u00ed, afinal \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o mais esperada para o termo. Mas como muito sagazmente John Whitlam apontou, as rappers feministas se apropriaram do termo e deram uma conota\u00e7\u00e3o positiva a ele, uma conota\u00e7\u00e3o de \u201cpoderosa\u201d, e essa \u00e9 que mais chama a aten\u00e7\u00e3o no filme. Afinal, Patti Cake$ \u00e9 uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">boss bitch,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> e ningu\u00e9m a convence do contr\u00e1rio, nem a realidade contrastante com suas letras. Por isso ela diz para o espelho:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Voc\u00ea \u00e9 gata,<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">um <\/span><strong>mulher\u00e3o da porra<\/strong><b>&#8220;<\/b><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para mim, por mais que a gente se sinta vivido, \u201cdescolado\u201d, culto e por dentro dos assuntos \u00e9 sempre bom ter humildade e reconhecer a import\u00e2ncia dos colegas de trabalho. Nesse filme, por exemplo, o olhar da Ligia foi essencial para chancelar as escolhas tradut\u00f3rias e percep\u00e7\u00f5es sobre as personagens femininas. Na minha leitura, Patti Cake$, sua m\u00e3e Barb e av\u00f3, Nana, formam um n\u00facleo de tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es de mulheres fortes e que contam umas com as outras para superar as dificuldades impostas pela vida. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, &#8220;Patti Cake$&#8221; \u00e9 uma hist\u00f3ria de sororidade e empoderamento, tanto que antes de encarar um grande desafio, nossa hero\u00edna diz:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;A oportunidade bate \u00e0 minha porta,<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">eu chego de sola<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">um brinde \u00e0 Patti, <\/span><strong>gatas<\/strong>&#8220;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vou me despedindo por aqui, mas espero voltar em breve com mais temas bacanas sobre tradu\u00e7\u00e3o. Espero que esse post, ao expandir a discuss\u00e3o originalmente proposta por John Whitlam, contribua para outros tradutores e entusiastas da tradu\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea tem alguma cr\u00edtica ou sugest\u00e3o? Fala que eu te escuto! Eu tenho uma dica: assista &#8220;Patti Cake$&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Patti Cake$ - Trailer Legendado\" width=\"525\" height=\"295\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/o7hvhGyO0DQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rapaziada, Johnny Boy na parada Pra contar a hist\u00f3ria dessa mina bolada Que de bolinho n\u00e3o tem nada Lil B. Mauz, 2017 &nbsp; *** Patti Cake$, quem \u00e9 essa mina?\u00a0 Patricia Dombrowski mora com a m\u00e3e e a av\u00f3, e as tr\u00eas cortam um dobrado pra manter as contas em dia. 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