{"id":829,"date":"2017-09-28T16:48:59","date_gmt":"2017-09-28T19:48:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/toca-do-mouse\/?p=829"},"modified":"2017-09-28T17:12:16","modified_gmt":"2017-09-28T20:12:16","slug":"restricoes-na-tav-aceita-que-doi-menos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/toca-do-mouse\/restricoes-na-tav-aceita-que-doi-menos\/","title":{"rendered":"Restri\u00e7\u00f5es na TAV: aceita que d\u00f3i menos!"},"content":{"rendered":"<p>Nesta quinta, o blog traz um guest post do nosso amigo e colega Paulo Noriega, autor do blog &#8220;<a href=\"http:\/\/www.traduzindoadublagem.com\/\">Traduzindo a Dublagem<\/a>&#8220;. O tema que ele escolheu abordar \u00e9 bem pertinente: como lidar com as restri\u00e7\u00f5es que encontramos na TAV, que nos impedem de incluir na nossa tradu\u00e7\u00e3o todo o conte\u00fado que gostar\u00edamos? Pesquisas indicam que clientes tamb\u00e9m precisam ler este texto!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segue \ud83d\ude42<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Primeiramente, muito obrigado \u00e0 Ligia (e ao ratinho, claro!) pelo convite e a oportunidade de escrever para o blog da LBM que, h\u00e1 anos, faz um trabalho de excel\u00eancia no campo da legendagem e agora est\u00e1 se aventurando nas \u00e1guas da acessibilidade com uma equipe incrivelmente competente e composta por amigos queridos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Pensando sobre o que eu poderia escrever, resolvi aproveitar este espa\u00e7o e expor um pouco os meus pensamentos acerca de um assunto que n\u00e3o s\u00f3 aparece com frequ\u00eancia nas conversas ao se falar de dublagem e legendagem, como tamb\u00e9m \u00e9 algo que os profissionais que visem atuar nessas \u00e1reas precisam ter em mente: a tal da restri\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_833\" aria-describedby=\"caption-attachment-833\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-833\" src=\"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/toca-do-mouse\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/restrictions.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"263\" srcset=\"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/toca-do-mouse\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/restrictions.jpg 500w, https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/toca-do-mouse\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/restrictions-300x158.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-833\" class=\"wp-caption-text\">Espera, que tipo de restri\u00e7\u00e3o?<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Calma que eu chego l\u00e1! Antes vamos pensar em uma das modalidades tradut\u00f3rias mais antigas: a liter\u00e1ria. Com o surgimento de tantas editoras pelo mundo ao longo das d\u00e9cadas, e com a chegada de tantas tradu\u00e7\u00f5es \u00e0s livrarias mensalmente, pare para pensar nos livros que voc\u00ea j\u00e1 leu. Quantos tinham notas de rodap\u00e9, pref\u00e1cios, posf\u00e1cios ou at\u00e9 mesmo notas do tradutor? Muitos podem n\u00e3o ter tudo que listei, mas a quest\u00e3o \u00e9 que todos s\u00e3o recursos poss\u00edveis de serem utilizados em uma tradu\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Entretanto, se migrarmos para o campo de TAV (tradu\u00e7\u00e3o audiovisual), a coisa j\u00e1 muda de figura, n\u00e9? Afinal, nenhum dos recursos que citei acima pode se aplicar \u00e0s modalidades de TAV, como a dublagem e a legendagem, foco deste post. Como todos que j\u00e1 viram qualquer obra audiovisual, seja dublada ou legendada, a veicula\u00e7\u00e3o da mensagem presente nas produ\u00e7\u00f5es \u00e9 imediata. Pescou, pescou. N\u00e3o pescou, n\u00e3o pesca mais. N\u00e3o vai aparecer um asterisco com uma nota na parte inferior da tela explicando a adapta\u00e7\u00e3o de uma piada ou de um trocadilho. N\u00e3o h\u00e1 nada que sirva de suporte para justificar as solu\u00e7\u00f5es tradut\u00f3rias, o que h\u00e1 \u00e9 apenas a imagem e a palavra, escrita ou falada, se retroalimentando a todo instante.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_831\" aria-describedby=\"caption-attachment-831\" style=\"width: 597px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-831\" src=\"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/toca-do-mouse\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cervero.jpg\" alt=\"\" width=\"597\" height=\"336\" srcset=\"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/toca-do-mouse\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cervero.jpg 597w, https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/toca-do-mouse\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/cervero-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 597px) 100vw, 597px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-831\" class=\"wp-caption-text\">#cerver\u00f3representa<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Entendido isso, chegamos \u00e0 tal da restri\u00e7\u00e3o. Diferentemente do livro em que n\u00e3o h\u00e1 uma limita\u00e7\u00e3o para se transmitir a mensagem do original, tanto a dublagem quanto a legendagem compartilham desta caracter\u00edstica inerente, mas, obviamente, s\u00e3o \u00a0limita\u00e7\u00f5es de naturezas diferentes. Enquanto que na legendagem existem os softwares que \u201capitam\u201d e indicam quando uma legenda ultrapassou o n\u00famero permitido de caracteres, na dublagem, o buraco \u00e9 um pouco mais embaixo. Isso porque nela o que dita quais informa\u00e7\u00f5es conseguir\u00e3o ser veiculadas na nossa l\u00edngua \u00e9 a boca dos personagens, um fator subjetivo e que costuma levar um certo tempo at\u00e9 o tradutor desse segmento conseguir dominar. Em outras palavras, ser capaz de fazer a informa\u00e7\u00e3o do original \u201ccaber\u201d na boca dos personagens, como costumamos falar na \u00e1rea.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m do car\u00e1ter restritivo de ambos os campos, ainda h\u00e1 um agravante: diversos estudos lingu\u00edsticos mostram que as palavras n\u00e3o s\u00f3 da l\u00edngua portuguesa, como das demais l\u00ednguas neolatinas, a exemplo do espanhol, do italiano e do franc\u00eas s\u00e3o, por excel\u00eancia, maiores do que as da l\u00edngua inglesa, idioma de partida predominante no mercado de TAV brasileiro. Levando tudo isso em considera\u00e7\u00e3o, como \u00e9 poss\u00edvel, n\u00e3o s\u00f3 o telespectador como n\u00f3s mesmos, tradutores dessas \u00e1reas, exigirmos que o conte\u00fado presente em cada fala nas produ\u00e7\u00f5es seja repassado integralmente para o nosso portugu\u00eas brasileiro? \u00c9 justo que acusem a dublagem e a legendagem de modalidades infi\u00e9is de tradu\u00e7\u00e3o, sendo que existem esses fatores que v\u00e3o infinitamente al\u00e9m e transcendem qualquer profissional que atue nesses campos? Deixo essa reflex\u00e3o no ar&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMas Paulo, aonde voc\u00ea quer chegar com toda essa hist\u00f3ria de restri\u00e7\u00e3o e o escambau?\u201d Calma que eu chego l\u00e1 tamb\u00e9m! Eu me lembro de que quando fiz um curso de tradu\u00e7\u00e3o para legendas l\u00e1\u00e1\u00e1 em 2012, sendo que j\u00e1 havia feito um de tradu\u00e7\u00e3o para dublagem dois anos antes, eu sentia uma agonia constante por ter que condensar TANTO a tradu\u00e7\u00e3o ao fazer os exerc\u00edcios. Quando a professora do curso de legendagem nos passou um exerc\u00edcio da s\u00e9rie <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">House<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, \u00e0s vezes, s\u00f3 com o nome da doen\u00e7a, metade do espa\u00e7o da legenda j\u00e1 ia embora! DESESPERO TOTAL!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Na minha cabe\u00e7a, a legendagem conseguia ser mais restritiva do que sua modalidade irm\u00e3, por\u00e9m, ao longo do meu tempo de carreira como tradutor especializado no campo de dublagem, vi que, na verdade, ambas sofrem da mesma forma. Eu mesmo j\u00e1 lidei com v\u00e1rias produ\u00e7\u00f5es em que eu me sentia produzindo \u201cfalas de legenda\u201d, como minha amiga tradutora, Dilma Machado, gosta de falar. J\u00e1 houve casos em que eu tive de enxugar tanto a fala de certos personagens, que era como se eu estivesse legendando.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_832\" aria-describedby=\"caption-attachment-832\" style=\"width: 367px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-832\" src=\"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/toca-do-mouse\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/gif-rick.gif\" alt=\"\" width=\"367\" height=\"206\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-832\" class=\"wp-caption-text\">Rick fazendo apologia ao consumo de filmes dublados?<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Acredito que a quantidade de informa\u00e7\u00f5es que conseguir\u00e1 ser passada na tradu\u00e7\u00e3o de ambos os segmentos depende de diversos fatores como o ritmo de fala dos personagens, o n\u00famero de refer\u00eancias culturais, a quantidade de piadinhas, trocadilhos e piadas, enfim&#8230; costumo dizer que h\u00e1 produtos que \u201ccolaboram\u201d mais com o tradutor e outros menos, por assim dizer. \u00c9 vital entender que cada produ\u00e7\u00e3o sempre ter\u00e1 suas particularidades e, por mais que a produ\u00e7\u00e3o original \u201ccolabore\u201d com personagens falando mais devagar ou n\u00e3o tendo tanto conte\u00fado que exija um n\u00edvel maior de adapta\u00e7\u00e3o, haver\u00e1 algumas coisinhas que sempre ficar\u00e3o de fora, n\u00e3o tem jeito. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Saber filtrar informa\u00e7\u00f5es \u00e9 uma das principais qualidades que um tradutor audiovisual precisa ter. Atrav\u00e9s de muito estudo e muita pr\u00e1tica, ele ter\u00e1 que analisar a todo instante quais s\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es do original que n\u00e3o podem deixar de estar presentes em seu ato tradut\u00f3rio. \u00a0\u00c9 um filtro subjetivo? De certa forma, sim. \u00c0s vezes o que \u00e9 crucial para mim, pode n\u00e3o ser tanto para outro colega. No entanto, h\u00e1 casos em que fica muito evidente o que deve ou n\u00e3o ser transmitido, mas como diz o s\u00e1bio ditado: \u201ca pr\u00e1tica leva \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o.\u201d <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, ao entendermos a exist\u00eancia desse car\u00e1ter restritivo, mas sem escapat\u00f3ria, da nossa querida TAV, qual \u00e9 a dica que posso deixar para que n\u00e3o s\u00f3 os tradutores para dublagem e legendagem j\u00e1 atuantes, como tamb\u00e9m os aspirantes, possam realizar seu trabalho sem culpa? A sa\u00edda, meu caro leitor do blog do ratinho, \u00e9 mais simples do que parece: SE LIBERTA! Se liberta das amarras de querer veicular e transmitir o conte\u00fado integral das produ\u00e7\u00f5es estrangeiras, pois, como j\u00e1 disse, \u00e9 imposs\u00edvel.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_830\" aria-describedby=\"caption-attachment-830\" style=\"width: 461px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-830\" src=\"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/toca-do-mouse\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/aseita.jpg\" alt=\"\" width=\"461\" height=\"434\" srcset=\"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/toca-do-mouse\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/aseita.jpg 720w, https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/toca-do-mouse\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/aseita-300x283.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 461px) 100vw, 461px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-830\" class=\"wp-caption-text\">Junte-se \u00e0 seita de tradutores de TAV mais feliz do planeta.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto esse conflito interno existir (e acredite, ele existiu dentro de mim durante um certo tempo), isso pode atrapalhar seu trabalho e, muitas vezes, te levar a momentos de frustra\u00e7\u00e3o. Falando em bom portugu\u00eas, o melhor \u00e9 \u201caceitar que d\u00f3i menos\u201d. Abrace a restri\u00e7\u00e3o existente nessas duas modalidades irm\u00e3s e esforce-se para identificar aquilo que \u00e9 essencial, de modo que os nossos telespectadores possam se aproximar ao m\u00e1ximo da experi\u00eancia dos telespectadores da l\u00edngua de partida. Dessa forma, eu, voc\u00ea e todos n\u00f3s poderemos continuar a desfrutar de tantas produ\u00e7\u00f5es audiovisuais maravilhosas que n\u00e3o param de chegar, sejam legendadas ou dubladas. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">&#x1f609;<\/span><\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>[one_half]<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-835\" src=\"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/toca-do-mouse\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/paulonoriega.png\" alt=\"\" width=\"277\" height=\"185\" srcset=\"https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/toca-do-mouse\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/paulonoriega.png 960w, https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/toca-do-mouse\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/paulonoriega-300x200.png 300w, https:\/\/www.littlebrownmouse.com.br\/toca-do-mouse\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/paulonoriega-768x512.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 277px) 100vw, 277px\" \/><\/p>\n<p>[\/one_half]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 8pt;\"><em>Paulo Noriega \u00e9 tradutor do par de idiomas ingl\u00eas-portugu\u00eas especializado no campo de tradu\u00e7\u00e3o para dublagem. \u00c9 Bacharel e Especialista em tradu\u00e7\u00e3o pela PUC-Rio. Presta servi\u00e7os de tradu\u00e7\u00e3o para dublagem dos mais diversos g\u00eaneros e traduziu mais de 250 horas de produ\u00e7\u00f5es audiovisuais. \u00c9 palestrante e autor do blog &#8220;<a href=\"http:\/\/www.traduzindoadublagem.com\/\">Traduzindo a dublagem<\/a>&#8220;, um dos primeiros blogs brasileiros inteiramente dedicado \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o para dublagem.<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta quinta, o blog traz um guest post do nosso amigo e colega Paulo Noriega, autor do blog &#8220;Traduzindo a Dublagem&#8220;. O tema que ele escolheu abordar \u00e9 bem pertinente: como lidar com as restri\u00e7\u00f5es que encontramos na TAV, que nos impedem de incluir na nossa tradu\u00e7\u00e3o todo o conte\u00fado que gostar\u00edamos? 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